Embriaga pelo desamor

home, pensamentos

Já tinha perdido a conta de quantos drinks havia ingerido naquela noite, parei de contar no quinto ou quarto. Foi então que o avistei, rindo e se sacudindo de modo desajeitado na pista e meu coração ardeu, talvez de saudade. Mas esse sentimento logo deu lugar a dor, quando o vi beijando outra garota.

Meus olhos arderam em resposta, e decidi pro meu próprio bem não continuar ali. Fugi para o banheiro, talvez ali eu pudesse inutilmente me recompor. A cena se repetia como numa fita arranhada em minha cabeça, pensar naquilo me deixou mais tonta, e senti um leve embrulho se formar na boca do estômago, com toda certeza eu ia vomitar. Corri para o sanitário mais próximo bem a tempo de colocar tudo pra fora.

Após longos instantes, fui me limpar na pia. Foi quando encarei minha própria imagem no espelho, aquela mesma imagem que ignorava por dias. A menina que via tinha os cabelos desgrenhados,o resto de maquiagem levemente borrada por alguma lágrima que insistiu em escapar. Claramente abatida e embriagada por um “desamor” .

Definitivamente não era a primeira vez que tinha feito papel de trouxa ( como muitos diziam ), me entregado a um sentimento que no fundo sabia que não existia em ambas as partes, mas acreditava que de alguma forma eu poderia fazê-lo crescer na outra pessoa.

Lembrei-me então de todos os sorrisos, as primeiras investidas e os conselhos que recebi de amigas que hoje não sabia onde estavam. Mas como ele havia dito, o problema não era eu, era óbvio que ele diria isso. No fundo me culpava e torturava a procura de um momento falho de minha parte que o tenha feito me deixar.

Ri ironicamente ao lembrar de como tudo acabou de forma tão patética, de tantos planos que fiz pra nós e de quantas expectativas criei em cima disso que chamava de namoro. Eu pensava no nós, ele pensava no eu. Talvez esse tenha sido o erro. Há quanto tempo eu não pensava no eu ?! Cega pela vontade de ser amada e a julgar por minha estúpida aparência, tinha um bom tempo.

Isso devia mudar, pensei de maneira sensata pela primeira vez em dias. Não era me entupindo de comida, ou deixando de comer, enchendo a cara, farreando, o simplesmente me isolando do mundo que ele iria voltar pra mim. Afinal, eu realmente o queria de volta? Apenas o tempo diria, o maldito tempo, ele que não tem pressa e nem hora.

Lavei o rosto e deixei o banheiro, a balada, a bebida, o ex e qualquer coisa que me impediria de encontrar minha própria essência, reencontrar-me.

E aí, gostou do texto? Se identificou? Me conta aqui ↓ !

logo

Anúncios

Comente aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s